Jalapão! Roteiro de 4 dias.

Ah, o Jalapão! Fazia muito tempo que a gente ouvia esse nome e por conta da distância sempre era difícil conseguir um tempo pra conhecê-lo.

Quando então surgiu a ideia de uma expedição pelas regiões Norte e Nordeste não tinha como ser diferente. O primeiro ponto que colocamos no roteiro foi o Parque Estadual do Jalapão. O Parque fica localizado no estado de Tocantins, bem próximo à capital Palmas. Quem vai pra lá de avião, essa é a porta de chegada, de onde partem os veículos com guias pra percorrer o local.

O Parque é imenso, abrange uma área de 1.589 Km² demarcados (mas você irá em muitos lugares fora dessa área também), e por conta disso, se pretende agendar umas férias pra ir conhecê-lo, não economize nos dias. Além da quantidade de atrativos você perderá muitas horas dentro do carro indo de um destino a outro. Estivemos lá em Janeiro de 2017 e separamos 4 dias inteiros para conhecer o que pudéssemos (sem contar o dia de chegar e o dia de ir embora). Para se ter uma ideia das distâncias percorridas, rodamos cerca de 850km lá, em estradas de terra e areia. Se for de carro e sem guia como fomos, recomendamos ir somente com veículo 4×4 e que esteja preparado pra atolar ou acabar combustível no meio do nada e ter que ficar um bom tempo lá. Felizmente isso não aconteceu com a gente!

A região encanta por suas águas abundantes, chapadões e serras com clima de savana, além da paisagem de cerrado, com direito a dunas alaranjadas, rios encachoeirados, nascentes e impressionantes formações rochosas. A maioria dos atrativos está localizada nas cidades de  Mateiros, Novo Acordo, Ponte Alta do Tocantins e São Félix do Tocantins. Em meio a 34 mil km² de paisagem árida, a região é cortada por uma imensa teia de rios, riachos e ribeirões, todos de águas transparentes e potáveis.

A gente não vai ficar se alongando muito no que a gente fez em cada dia pra não tornar o post extremamente comprido e chato, mas também não podemos deixar de dar um breve resumo sobre cada local que conhecemos. Tem várias fotos no final do post! Qualquer dúvida estamos à disposição pra ajudar, só mandar uma mensagem pra gente!

Clique nos links abaixo para acessar o roteiro GPS completo e o vídeo da expedição ao Jalapão.

      


Recomendações importantes antes de ir:

– Se for com veículo próprio, recomendamos somente veículos com tração 4×4. Muita gente vai de avião até Palmas e aluga uma caminhonete pra visitar o Jalapão. A maioria dos guias possuem veículos 4 próprios, então é uma opção também. Lembre-se de baixar bem a calibragem dos pneus pra andar melhor nos bancos de areia que se formam nas estradas.

– Mantenha uma estrutura mínima dentro do carro com alimentos, água, ferramentas, etc. Não existe sinal de celular por lá e aso atole ou tenha uma pane pode demorar muito até conseguir socorro.

– Se possível, carregue um galaão de combustível sobressalente. Só existe posto de combustível em Ponte Alta, em Mateiros e em São Félix. Em Mateiros só existe um posto e é bem comum ouvir relatos de acabar o combustível lá e demorar 2 a 3 das para repor… Mesmo que sejam 20L sobressalentes no carro pode ser o suficiente pra evitar problemas.

 


1º Dia (04/01)

– Ponto de partida pra aventura saindo de Ponte Alta do Tocantins por volta das 7:00h da manhã. Chegamos na cidade na noite anterior.

– Pedra Furada – Estivemos logo pela manhã, mas como é no meio do caminho retornamos no final do dia pra tentar o pôr-do-sol que não aconteceu por causa do tempo nublado.

– Cachoeira da Fumaça – Destino imperdível, um dos mais visitados lá. Chegando no local pare o carro antes do rio. Existem trilhas pelos 2 lados do rio para descer até a cachoeira, mas a trilha mais bacana é atravessando a ponte e descendo pelo lado esquerdo do rio. Trilha de nível fácil, onde é possível entrar atrás da queda d’água com bastante segurança e sentir a força da natureza. Não é possível tomar banho ali, mas perto de onde você deixou o carro é ótimo pra isso. Já vai ser um horário bom pra fazer um lanche e continuar a jornada de volta à tarde.

– Cachoeira do Soninho – Já no caminho de volta. Não é possível tomar banho mas é linda para contemplação. Um sumidouro ao lado da cachoeira deixa a experiência ainda mais emocionante! Mas cuidado no local pois não existe proteção contra queda e as pedras são bem lisas. Extremo cuidado com crianças!!! Nós acabamos não parando porque estava chovendo, mas na ponte do rio Soninho é ótimo parar pra tomar um banho, num lajeado de pedras com águas bem calmas.

– Dolina Talhado do Boi – Não temos certeza desse nome pois não tem nenhuma indicação no local, mas foi o nome que um guia local nos disse. É um local pouco visitado que vale a pena só se tiver tempo. A estrada pra chegar até lá está meio precária (pelo menos quando fomos). É uma imensa dolina, uma queda abrupta do solo que acontece com certa frequência em áreas de solo arenito.

– Pedra Furada – Já perto do horário do pôr-do-sol o atrativo fica cheio de turistas. É a melhor hora pra visitar o local, se tiver a sorte (que não tivemos) de pegar um dia bem aberto e poucas núvens.

– Chegamos de volta em Ponte Alta do Tocantins para dormir. Distância percorrida no dia, 208km.


2º Dia (05/01)

– Deixamos Ponte Alta pela manhã por volta das 7:00 já com a bagagem. Nossa próxima pernoite será em Mateiros

– Cânion Sussuapara – primeira parada do dia. Uma trilha fácil de cerca de 600m leva até um cânion muito interessante. Vale a pena a visita!

– Cachoeira da Velha – Outro destino que não pode faltar no roteiro de ninguém. É bastante longe e as estradas ruins fazem a viagem demorar um bocado. A Cachoeira caudalosa fica numa fazenda onde funcionava uma antiga refinaria de cocaína do famoso Pablo Escobar. Na área administrativa ainda é possível ver várias construções da época. O acesso à cachoeira é feito por uma passarela suspensa que estava em ótimo estado na nossa ida lá. Caminho super fácil, apesar do sol escaldante que normalmente está no local. Assim que se chega à cachoeira existe uma trilha onde é possível ir margeando o rio até a prainha, passando por vários pontos de observação do rio e da cachoeira. Fomos até um trecho mas voltamos para buscar o carro, não tinha sentido ir até a prainha e ter que voltar todo o trajeto à pé.

– Prainha do Rio Novo – Logo abaixo à cachoeira da Velha. Um dos melhores locais pra banho que visitamos. A água do rio é extremamente límpida, de temperatura super agradável. Só é preciso tomar cuidado de não querer ir até o meio do rio nadando porque pode ser bem perigodo por conta da correnteza do rio. Mas na prainha, é ótimo mesmo se estiver com crianças pequenas.

– Dunas do Jalapão – Um dos atrativos mais famosos de todo o parque. A estrada para o parque das dunas fecha ao público às 17:30h. Sempre é bom perguntar para o pessoal da Cachoeira da Velha, que conhece as condições das estradas por ali, qual o horário limite para sair da cachoeira com tempo de chegar até às dunas. Quando estivemos lá, tivemos que deixar a cachoeira às 14:00h. Três horas de estrada ruim pra percorrer cerca de 80km. O melhor horário para visitar as dunas é no final da tarde, quando o sol ilumina as dunas lateralmente deixando a tonalidade dourada característica ainda mais impressionante.

– Mateiros – Saímos das dunas após o sol se esconder e a noite então chegar. Mateiros fica a 35km das dunas aproximadamente. Distância percorrida no dia, 235km


3º dia (06/01)

– Serra do Espírito Santo – Apesar do cansaço do dia anterior, acordamos às 3 da manhã para tentar ver o nascer do sol do alto da serra do Espírito Santo. Saindo de Mateiros, voltamos cerca de 27km até o ponto onde começa a trilha à pé para subir a serra. É uma trilha cansativa em terreno bem irregular. Em cerca de 500m de trilha subimos um desnível de 300m. Já no alto da serra o terreno é todo plano e de fácil caminhada. Existem principalmente 2 pontos de vista lá de cima. O primeiro, 100m logo após o término da subida de onde é possível avistar o nascer do sol. O segundo, a 3km dali, no lado oposto da serra, fantástico para observar a erosão a partir de onde se formam as duas. É possível enxergar as dunas lá do alto, e também é ótimo caso a ideia seja ver o pôr do sol. Chegamos em Mateiros novamente por volta das 8:30h para tomar um café e seguir a jornada. De novo com todo a bagagem pois não voltaríamos mais a Mateiros.

– Fervedouro Buritis – Os fervedouros do Jalapão são pra nós a parte mais espetacular de todo o trajeto, simplesmente por não se parecer em nada com tudo que já havíamos conhecido até hoje. São piscinas naturais formadas por nascentes de água no solo, que brotam com tanta força que se torna impossível afundar na água. Uma sensação indescritível. Cada fervedouro tem uma particularidade única, seja pela vegetação que o rodeia, pela tonalidade da água, pelo tamanho do olhos d’água, etc…

– Fervedouro Rio Sono – Bem próximo ao Buritis. Existe opção de encomendar um almoço no local logo que chegar.. Assim, quando terminar de curtir o banho no local já tem comida esperando por você.

– Comunidade Mumbuca – É uma das jóias culturais do Jalapão. Como tantas outras comunidades quilombolas da região, a população de lá vive de certa forma isolada, através de culturas de subsistência e mais recentemente através da exploração do capim dourado em forma de artesanato. Simplesmente não tem como visitar o Jalapão e não conhecer a comunidade. Também é possível conseguir almoçar por ali. Tivemos muito pouco tempo pra ficar ali, mas na próxima com certeza queremos aproveitar mais o local. Dá pra passar horas conversando com o pessoal de lá, ouvindo seus cantos de trabalho, sua dificuldades, tentando absorver um pouco da sua cultura e forma de vida tão peculiares.

– Camping do Vicente – O Vicente é praticamente uma entidade no Jalapão. Um dos pioneiros de fora que chegaram lá e começaram a trabalhar o turismo na região. Mineiro, apreciador duma boa prosa ao pé do fogo com uma cachacinha no final do dia nos deixou super à vontade no camping. Não tem estrutura praticamente nenhuma, mas mesmo assim é uma delícia ficar lá. É super bem localizado, às margens do rio Formiga, uma das águas mais limpas da região toda. Estávamos bem cansados por conta de tudo que já vínhamos rodando e chegamos cedo no camping pra descansar, por volta das 16:00h. Distância percorrida do dia, 116km.


4º Dia (07/01)

– Cachoeira do Prata – Fica em outra comunidade bem conhecida no Jalapão. Não é possível tomar banho na cachoeira por conta da força da água, mas logo acima no rio tem pontos ótimos caso queira aproveitar.

– Cachoeira do Formiga – Provavelmente uma das mais famosas do Jalapão. É uma cachoeira pequena mas que forma um lago azul turquesa de uma beleza espetacular. Mesmo com profundidade alcançando cerca de 4m, é possível enxergar todo no fundo por conta da pureza da águas.

– Fervedouro Encontro das Águas – Dos que conhecemos, não é o mais bonito visualmente, mas é o mais espetacular porque ele todo é praticamente um olho d’água somente. De fora olhamos uma piscina de uns 50cm de produndidade somente, mas ao entrar os pés não tocam o fundo como em outros fervedouros. A gente fica boiando na água, imersos numa mistura de areia muito fina e água. É impossível conseguir afundar o corpo na água!! Bem próximo ao fervedouro tem o encontro das águas do rio Formiga com o rio Sono, ótimo pra tomar banho e tirar o excesso de areia que fica na roupa depois do fervedouro.

– Camping do Vicente – Dormimos no camping pela segunda noite para seguir viagem no outro dia. Distância percorrida no dia, 112km.

5º Dia (08/01)

Saímos do Camping com destino a São Félix do Tocantins, seguindo para Carolina/ MA, na Chapada das Mesas. São muitos km de terra até chegar próximo a Palmas e por isso não rende a viagem. Existem muitas opções de atrativos em São Félix também, mas deixamos pra próxima

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