Cambará do Sul/ RS – Roteiro de 4 dias

Nossa expedição aos Cânion do Sul do país termina na cidade de Cambará do Sul/ RS. Portal de entrada para os Parques Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral. Um pequena cidade com menos de 7 mil habitantes com um grande potencial turístico.


25/07/2017 – 6º dia de expedição – Amanhecer em Cambará do Sul

Chegamos em Cambará do sul na noite anterior, dia 24, vindo pela Rota dos Cânions partindo de Bom Jardim da Serra/ SC. Se não viu nossa postagem sobre essa rota veja aqui.

Como estávamos ainda cansados das 11 horas de percurso do dia anterior, decidimos fazer no primeiro dia somente o passeio pelo Cânion Fortaleza, no Parque Nacional da Serra Geral. É possível visitar o parque somente em meio período se tiver pouco tempo de viagem, mas sempre que vamos preferimos ficar praticamente o dia todo lá, relaxando e curtindo o visual e o contato com tamanha natureza!

O parque fica a aproximadamente 20km da cidade de Cambará do Sul, um trecho de asfalto e o restante de terra com muita pedra. Devagar qualquer veículo chega, não precisa ser 4×4!

O primeiro atrativo na entrada do parque é a Cachoeira do Tigre Preto e Pedra do Segredo. Uma trilha de cerca de 800m a 1km no meio da mata leva até o topo dessa enorme cachoeira. Atravessando o rio a pé, pisando nas pedras, a trilha continua dando a volta nos paredões, onde existe um mirante pra ver a cachoeira bem de frente. Logo mais à frente a trilha termina na Pedra do Segredo, uma enorme formação rochosa que fica equilibrada somente num pequeno ponto.  Algumas pessoas preferem fazer essa trilha logo que chegam ao parque e outras fazem na volta, depois que visitaram a parte principal do cânion.

De volta pro carro, é só seguir a estrada até o estacionamento que dá acesso para duas trilhas. Uma curta que leva até os paredões logo à frente, e outra maior, de cerca de 1,5km que leva até o ponto mais alto do cânion, um morro que se enxerga a partir do estacionamento. A trilha é um pouco cansativa para subir mas vale muito a pena! Lá do alto, o desnível com o rio lá embaixo no cânion chega a 1000m. É tanta altura que a gente nem tem muita referência. Com tempo aberto, é possível lá do alto avistar o mar no litoral de Santa Catarina, distante cerca de 35km em linha reta.

Todas as trilhas e caminhos são bem demarcados, podendo ser feitos sem nenhum guia, mesmo assim segue abaixo o roteiro GPS.


26/07/2017 – 7º dia de expedição – Circuito das Águas

Acordamos cedo no camping e logo após o café da manhã já estávamos na estrada para percorrer o Circuito das Águas. Um circuito muito conhecido na região que leva a algumas cachoeiras e passagens de rio surpreendentes.

A primeira parada no caminho é o complexo das Cascatas dos Venâncios. Uma propriedade privada onde o Rio Garrafa tem uma série de quedas, cada uma com um visual único. Existem vários pontos para banho, mas como fomos no inverno não dava pra encarar a temperatura da água, mesmo com tempo quente.

É cobrada uma taxa de visitação por pessoa para acesso ao local. Existem vários pontos para lazer, além de uma área para Camping.

Seguindo o caminho chegamos ao chamado Passo do S. Um caminho em forma de S para cruzar o rio Tainhas, antigamente usado como rota pelos tropeiros da região, mas que até hoje é o único caminho para cruzar o rio.  Se pretender cruzar o rio, não vá com veículo muito baixo. Não precisa ser 4×4, mas existem alguns buracos escondidos na água e um carro pequeno pode enroscar pelo caminho. Verifique sempre a pressão dos pneus antes de ir. Pneus murchos podem cortar com facilidade nas pedras.

Lá também está localizada a Cachoeira do Passo do S, dias lindas quedas d’água. O rio se divide pouco antes da queda e forma duas cachoeiras completamente diferentes entre sí. Existem trilhas para descer a pé até a cachoeira pelos dois lados do rio. Infelizmente para conhecer as dias você terá que descer, voltar, atravessar o rio e descer pelo outro lado, pois em qualquer lado que você for, só é possível enxergar uma queda.

Por opção a gente voltou na estrada para seguir nosso caminho até o Passo da Ilha, no mesmo rio Tainhas, mas é possível também seguir em frente e dar a volta pela margem esquerda do rio até o passo da Ilha. Veja na rota de GPS logo abaixo.

O Passo da Ilha é imenso lajeado que abriga uma pequena ilha em seu interior onde assim como no Passo do S é possível se atravessar o rio de carro. Possui uma grande área de camping com ótima estrutura que vai desde energia elétrica até mini mercado que funciona na temporada de verão.


27/07/2017 – 8º dia de expedição – Cânion Itaimbezinho – Parque Nacional de Aparados da Serra

O Cânion Itaimbezinho fica localizado a cerca de 20km da cidade de Cambará do Sul, na estrada que desce a Serra do Faxinal e segue sentido litoral. Com profundidade de até 700m, paredões verticais e fenda estreita, é um dos maiores das américas. Além disso tem as paredes rochosas ornadas pelo verde exuberante da Mata Atlântica.

O Parna de Aparados da Serra é formado por Mata Atlântica e Floresta de Araucária, campos e penhascos, que são moradas de papagaios-de-peito-roxo, jaguatirica, guaxinim e leão-baio.

De todos os cânions da região Sul do Brasil, é o mais estruturado deles, e por isso mesmo o que a gente menos gosta. O local é incrível, mas a facilidade de acesso, e por isso a quantidade de visitantes que vão até lá todos os dias, torna o passeio na nossa opinião um tanto desconfortável. Gostamos de locais onde é possível curtir a natureza no seu estado mais natural possível e lá não é assim. Mesmo assim é destino fundamental para quem for a Cambará.

São duas trilhas auto-guiadas disponíveis no topo do cânion. Uma trilha bem curta que leva até o vértice, o ponto onde o cânion se fecha, e a trilha do Cotovelo, com 6km ida e volta que leva, como o próprio nome diz, até o cotovelo do cânion, uma curva de quase 90º que ele faz.

Todas as trilhas são super fáceis, indicadas para qualquer idade. Mesmo a trilha maior é muito pouco cansativa e é fácil encontrar nela até mesmo pessoas de idade já avançada. Pode também ser percorrida de bicicleta (caso você leve a sua).

No interior do cânion tem uma trilha muito bacana que não fizemos dessa vez, a Trilha do Rio do Boi. O acesso é feito pela cidade de Praia Grande e só pode ser feita mediante acompanhamento de guia credenciados. Uma trilha por dentro do cânion, margeando o rio do Boi até chegar perto do Cotovelo que é visto na pare alta. Vale muito a pena e você for para Cambará não deixe de se informar sobre essa trilha nas agências de Turismo da cidade.

É um passeio em nossa opinião de meio período. Aproveitamos o período da tarde para visitar a Cachoeira do Tio França, que faz parte daquele Circuito das Águas que fizemos no dia anterior. É uma cachoeira que fica bem próximo da cidade de Cambará, com uma pequena trilha percorrida a pé. Fica em uma propriedade privada e por isso existe uma taxa de visitação. No dia em que estivemos lá essa taxa era de R$7.00. Existe opção de almoço no restaurante que existe na entrada dessa cachoeira também.

Abaixo o vídeo de nossa passagem por lá.


28/07/2017 – 9º dia de expedição – Cânions Cambajuva e Pinheirinho

Existem vários cânion em toda a região que são pouco explorados, e consequentemente pouco conhecidos do público em Geral. E os cânions Pinheirinho e Cambajuva estão entre eles.

A gente ainda não conhecia esses dois cânions e decidimos aproveitar o tempo bom, de céu aberto e sem neblina (coisa rara por lá) pra conhecer esses lugares. Baixamos umas trilhas de GPS no wikiloc pra achar os locais, e conversamos com algumas pessoas na cidade. Infelizmente fomos mal informados e não pedimos autorização para visitação.

Os Cãnions estão em propriedades particulares e os proprietários, por uma questão de controle de acesso, não gostam que entrem sem autorização. Não é cobrada taxa de visitação lá, então se decidir conhecer esses lugares não deixe de ligar e combinar antes. O acesso é autorizado pelo na Pousada Costão do Cambará, com o Alencar (54) 99690-2479

Outra recomendação importantíssima, não vá se não tiver um 4×4. Mesmo na época seca como estivemos agora alguns acessos podem ser bem complicados e é fácil atolar por lá. Não existe estrutura próxima nem pontos de apoio.

Como todos os cânions, cada um tem uma característica própria e todos valem muito a pena serem visitados. Abaixo nossa rota de GPS e o video do local.